Minha opinião sobre transporte coletivo.

Em primeiro lugar, tenho que deixar claro que não sou contra as manifestações populares contra o aumento de passagens. A população tem o direito de protestar pelo que quiser (contanto, claro, que se evite a violência contra outrem ou a propriedade de outrem) sem ser molestada pela PM como parece ter acontecido especialmente hoje (quinta 13/06). Discordo sim do alvo das manifestações e das soluções encampadas pelos jovens que tomam as ruas.

Segue em tópicos para facilitar o pensamento:

1 - O aumento da passagem de ônibus é apenas um sintoma de uma doença muito maior que acomete o país. Por trás dos 20 centavos a mais nas passagens (em Rio e São Paulo) está o arroubo inflacionário pelo qual passa o Brasil e que foi muito bem simplificado nesse artigo da Super Interessante.

Enquanto o banco central seguir imprimindo dinheiro para financiar a máquina estatal e seus projetos (quaisquer que sejam) e oferecendo crédito fácil, ele seguirá promovendo a tão famigerada desigualdade social e, pior, a perda de poder aquisitivo do trabalhador assalariado. O transporte é apenas mais um setor a sentir os efeitos de uma política extremamente intervencionista a fim de produzir números de crescimento.

2 - Os manifestantes parecem estar cientes de como funciona o sistema de transporte atual (RJ e SP): a prefeitura decide as linhas e divide-as entre as empresas viárias que obtém seu lucro parte pelo valor da passagem fixado pelo governo, parte através dos subsídios pagos pelas prefeituras (leia-se: a população). Ou seja, assim como não existe almoço grátis, não existe parte da passagem paga pelo governo. Você paga tudo. Na verdade é pior ainda, porque aqueles que não andam de ônibus, seja porque têm uma lojinha no quintal de casa, seja porque as linhas pre-fixadas não os atendem e precisam dar seu jeito para ir ao trabalho, também pagam essa passagem.

Ou seja, o sistema viário funciona como um cartel oficializado pelo estado, onde não existe concorrência, é impossível entrar no setor e você ainda é obrigado a pagar pelo serviço mesmo que não use. Qualquer semelhança com a máfia não é mera coincidência. É lucro fácil e sem esforço, contanto que você conheça as pessoas certas.

Ainda assim, os protestos não pedem pela separação entre o estado e o setor de transportes. Não pedem para que as empresas sejam livres para definir e disputar linhas de acordo com as necessidades dos consumidores e com maior facilidade para novos participantes entrarem no mercado. Uns pedem pelo congelamento da tarifa que, news flash, levaria a uma situação insustentável para as empresas se manterem com lucro - afinal, o preço da gasolina, de peças e de mão de obra segue subindo (ver item 1). Eventualmente elas sairiam do mercado e o governo seria obrigado a assumir total controle do setor. Outros já são mais diretos e pedem por passe 100% grátis. À parte do fato que, repetindo, não existe almoço grátis e você pagaria de qualquer forma, ou teríamos a permanência do mesmo cartel, agora com a graninha ainda mais garantida já que tudo viria dos cofres públicos ou as prefeituras assumiriam o controle do sistema.

Pra quem diz que o transporte coletivo é um setor muito importante para ficar nas mãos dos “capitalistas malvados”, existe um motivo pra algo muito mais importante, a produção de alimentos, estar nas mãos dos “malvadões”: basta ver o que aconteceu onde essa produção foi coletivizada (recomendo muito esse texto). Basta também lembrar como eram as telecomunicações antes das privatizações, mesmo que hoje esse mercado seja extremamente regulado e engessado. Ainda assim acredita-se que o estado é mais capaz de entender e atender melhor as necessidades de mobilidade de todos nós do que a livre iniciativa privada.

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Em resumo, não adianta tomar a Paulista e a Presidente Vargas contra os desmandos do estado, apanhar da polícia do estado e, no fim das contas, pedir MAIS ESTADO.

Como disse o amigo ET Bilú, “Busquem conhecimento”. Eu adiciono: leiam Bastiat.

@fernandopandre