A saúde e educação públicas falharam. Vamos partir pra outra.

Volta e meia a gente que critica a saúde e educação pública se depara com com o argumento, se é que podemos chamar disso, que “saúde e educação são importantes demais para ficarem reféns da lógica de mercado”. O que quer que “lógica de mercado signifique”, esse argumento é bastante sedutor. Quem quer ver os porcos burgueses tomando conta de algo tão sacrossanto quanto a saúde de nosso povo e a educação de nossas crianças?

Porém esse tipo de argumento não apenas não resiste a 2 minutos de análise como cai por terra assim que nos perguntamos, “então por que não estatizar todas as fazendas e fábricas de alimentos?”, afinal, certamente a alimentação está no topo da lista de coisas a fazer para se manter vivo, só que todas as tentativas de coletivizar a produção de alimentos falharam miseravelmente.

Talvez seja então o contrário: pelo fato de educação e saúde (no sentido de atendimento médico, não de ser saudável) não serem absolutamente vitais, por pessoas não estarem caindo mortas como moscas porque não aprenderam equações de segundo grau ou não fizeram o exame de próstata, a gente pode usá-las como símbolos do nosso desejo de uma sociedade ideal. Na verdade isso é o que mais se faz na política: queremos uma internet mais “justa”, então vamos passar um marco civil, queremos mais educação, então 10% do PIB etc. A própria constituição federal assegura o direito a educação, saúde e mais um monte de coisa como se simplesmente bastasse a caneta mágica tocar o papel para que todos os nossos problemas fossem resolvidos.

Não à toa, a grande solução encontrada para todos os problemas do governo é jogar mais dinheiro em cima. A gente não só quer ter uma educação boa, a gente quer muito, então vamos botar 10% do PIB, que já é um número simbólico, pra simbolizar isso e dane-se a realidade. É assim que funciona a política. Serve muito bem pra ganhar votos e likes no facebook.

- Mas se o governo não é a solução, o que é?

No livro The Politically Incorrect Guide to Socialism, o autor Kevin D. Williamson imagina um “comitê de leite” tentando computar algumas das variáveis possíveis a fim de abastecer a população americana semanalmente por um ano e terminou com uma quantidade de opções ao redor de 6 trilhões. Partindo do princípio que todos os membros desse comitê ou ministério sejam as pessoas mais perfeitas do planeta, sem ganância, falhas, distrações etc, levando, com a ajuda de supercomputadores, 1 segundo para considerar cada opção, levariam quase 200 mil anos na tarefa.

A população brasileira é cerca de 120 milhões de pessoas menor que a americana, mas a ideia ainda é válida: o planejamento central de algo tão ordinário como o consumo anual de leite da população levaria centenas de milhares de anos para ser feito na melhor e mais irreal das hipóteses. Nos resta imaginar o quanto levaria pra algo muito mais complexo como saúde e educação Então como conseguimos produzir leite pra quase toda a população?

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A grande diferença do mercado como mediador das nossas necessidades e o governo é que tudo que fazemos no mercado é absorvido como informação através do lucro ou prejuízo de quem fornece determinado produto ou serviço. Se a Pepsi amanhã mudar o sabor do refrigerante pra banana e limão, ela vai saber rapidinho que aquilo é uma furada porque todo mundo, tirando um ou dois malucos, vai parar de comprar Pepsi. Já se uma hipotética empresa estatal de fornecimento de refrigerantes fizesse o mesmo, ela não teria essa informação quase instantaneamente, porque ninguém compra seus refrigerantes, eles são financiados via impostos e distribuídos às pessoas. Mesmo que eles não gostem, o fato de ser “de graça” já distorce de tal forma o mercado de refrigerantes que é bem provável que as pessoas sigam bebendo o novo sabor, mesmo não gostando.

Com educação e saúde é a mesma coisa, o governo gasta uma fortuna administrando escolas e hospitais porcos não porque, em teoria, ele quer que seja assim, mas porque ele não tem os instrumentos que, por exemplo, as freiras donas da escola na esquina têm. Elas estão a fim de prestar um serviço bom, realmente educar alguém, porque isso significa que outros alunos virão, enquanto as escolas municipais e estaduais seguem atraindo só aqueles que não têm como pagar outra coisa, especialmente porque já estão apagando indiretamente pela porcaria pública.

- Vouchers: uma solução liberal.

O orçamento da secretaria da educação da cidade de São Paulo é de R$10,7 bilhões por ano, sendo que uma mensalidade de uma escola particular de alto nível é, em média, R$750 reais livres dos 37,68% de impostos que segundo o IBPT incidem sobre as mensalidades. Como a rede municipal de São Paulo tem 940 mil alunos, cada aluno custa mensalmente aos cofres públicos R$886. O que leva alguém, depois de ver esses números a ainda acreditar que o problema é falta de investimento está além da minha capacidade cognitiva.

A mesma coisa deve acontecer com a saúde. Se dividirmos o orçamento da pasta de saúde em 2014 (R$106 bilhões) pelos cerca de 57 milhões de domicílios que o Brasil possui, terminaremos com R$154 ao mês por domicílio, o suficiente pra cada residência brasileira contratar um plano de saúde Amil Blue Plus 400 (isso sem descontar os impostos).

Com a esquerda tão apaixonada pelo Bolsa Família, que nada mais é que um programa de vouchers para a sobrevivência ao invés de termos fazendas estatais, espanta que sejam tão ferrenhamente contra a fazer o mesmo em outras áreas de grande importância. Um sistema de vouchers não apenas significa uma melhora no atendimento à população nas áreas em que é aplicado, mas também uma diminuição dos gastos públicos, cujas consequências vão de menores impostos à população até uma redução inflacionária.

Infelizmente o discurso segue centrado nas coisas que o governo deveria fazer, sem prestarmos atenção ao que ele consegue fazer. Os políticos seguirão alegando que falta dinheiro e as pessoas pedindo coisas absolutamente simbólicas como 10% do PIB (por que não 50%?). Uma solução indireta como os vouchers não vai ser pefeita, mas é certamente melhor do que entregar toda a saúde e educação nas mãos do governo. Esse sonho já morreu, é hora de seguir em frente.

Liberais são amigos do “grande capital”?

Uma das noções mais difundidas por aí é a dos liberais como apoiadores do chamado “grande capital”. Afinal, ao defender um capitalismo em seu estado mais puro (ou seja, com a menor intervenção estatal possível), nós defenderíamos exatamente as grandes empresas, corporações e multinacionais.

Acreditar nisso passa inevitavelmente pela crença que as grandes companhias gostam (leia-se lucram mais) do livre mercado, o que não passa de pura mentira. Ninguém tem mais a ganhar com regulações, proibições e impostos do que as empresas já estabelecidas no mercado e com bala na agulha pra enfrentar as consequências financeiras dessas regras.

Explicando com mais clareza: toda vez que o governo cria uma nova lei para intervir na economia, ele impõe um novo custo a quem produz riqueza dentro de uma nação - e isso vai desde a General Motors até o moleque que corta a grama do vizinho por uns trocados. A pergunta é, quem tem mais capacidade de enfrentar esse custo: a Microsoft ou o rapaz que programa no fundo do quintal?

E quando falo de custo, pode ir do mais direto, como a proibição de garrafas de vidro pra azeite em restaurantes europeus, até alguns mais indiretos, como regulações trabalhistas que encarecem a mão de obra, normalmente sem favorecer o trabalhador. O salário mínimo por exemplo, que não existe em países como Suécia, Dinamarca e Noruega, tidos como “paraísos socialistas” (outra mentira), favorece muito quem tem cacife pra bancar a contratação de funcionários. Quem está começando seu negócio com pouco e quer se manter na legalidade que fique a ver navios. Mesmo se ele ache pencas de pessoas dispostas a aceitar um valor menor.

Ser liberal passa por compreender que esses custos não apenas cortam a concorrência pela raiz exatamente por “bloquear” a entrada de novos players no mercado (não existe nada dizendo que você está proibido, só vai ser muito mais caro - essa é a pegadinha), como dão carta branca ao grande empresariado para aplicar uma margem de lucro ainda maior. Ser liberal implica em saber que regulações aumentam a escassez ao diminuírem a oferta de determinado bem ou serviço. Quando o governo proíbe as pessoas de trazerem um produto de fora sem pagar milhões em taxas, ele está efetivamente mantendo-as pobres.

Não é à toa que o “grande capital” gasta quantias inimagináveis fazendo lobby por cada vez mais e mais regras (ANATEL alguém?). Ao defendermos um economia desregulada e forte redução de impostos, estamos apoiando exatamente o que mais os aterroriza do: ter que realmente trabalhar para conquistar seus clientes.

Sobre preços e salários

Existe um crença muito difundida de que os salários baixos, ou considerados injustos, existem porque muitas pessoas aceitam receber tão pouco. Caso contrário, as empresas seriam obrigadas a pagar mais para seus empregados. Obviamente esta teoria está tão equivocada quanto aquela, também muito famosa, de se realizar boicotes a produtos para que os preços baixem.

É muito comum que a gente pense assim, afinal, salários são preços e preços estão submetidos à lei da oferta e procura, correto? Correto, mas o equívoco no caso é uma falha de interpretação dessa lei, não uma falha em aplicá-la. Se todos os consumidores, ou pelo menos parte considerável, aderirem a um boicote, os preços realmente irão cair - automaticamente fazendo com que mais gente se sinta interessada em comprar o produto e, por consequência, elevando os preços novamente.

O mesmo acontece com os salários. Se todos os publicitários (usando minha área de formação como exemplo) decidirem que cansaram de trabalhar pela merreca que recebem, os empregadores serão obrigados a oferecer salários melhores para convencê-los a trabalhar novamente, mas, ao fazer isso, atrairão mais gente, fazendo os salários voltarem ao patamar que estavam antes.

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É por isso, inclusive, que o modus operandi de muitos sindicatos é dificultar cada vez mais a entrada de novos profissionais em seus setores (através de lobbies com o governo claro). Ao exigirem diploma para que jornalistas exerçam sua profissão, por exemplo, eles não querem nada além de criar uma reserva de mercado para controlar a oferta de profissionais.

Mas retornando ao ponto principal: preços e salários são corretos por definição. Isso ocorre eles porque são meras representações de circunstâncias do mercado. Se algum bem ou serviço (e seu trabalho entra aí na categoria serviço) vale X hoje, obviamente ele não precisará valer X pra sempre, mas não há lei ou boicote no mundo que o faça valer Y. Se o trabalho do atendente de fast food vale R$1000 por mês, subir o salário mínimo pra R$2000 vai ter uma influência de 0% sobre o valor daquela função. Só vai mexer na demanda por trabalhadores de fast food, provavelmente resultando na demissão de vários deles. É a mesma coisa que passarem uma lei pra salvar a mídia impressa dizendo que agora todo jornal vai custar R$5. Qualquer um que não precise muito de um jornal vai simplesmente ler na internet, esperar o telejornal etc.

Dessa forma, como torná-los melhores para nós, meros mortais não detentores dos meios de produção (eita). Ao contrário do que pode achar nosso amigo Carlos Marques, a melhor forma de baixar os preços para o consumidor e aumentar os salários do empregado segue sendo através uma ampla oferta, estimulada por uma concorrência feroz.

Agora eu lhe pergunto: tem como isso acontecer no país do Custo Brasil (que é a raiz do Lucro Brasil como expliquei neste texto), que come a renda do trabalhador e impõe custos altíssimos a qualquer um que queira abrir sua empresa na legalidade ou a qualquer empresa que queira vir para o Brasil? Claro que não. Vivemos dentro de um mercado completamente sufocado por regulamentações e impostos (além da inflação, que devora impiedosamente nossas poupanças) e queremos atacar só as consequências: os preços altos, os salários baixos etc.

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Aí não tem jeito. Que chamem os fiscais do Sarney.

"Lucro Brasil": o filho bastardo do protecionismo

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Toda vez que um novo produto desejado vai ser lançado no Brasil é a mesma ladainha. De um lado ficam aqueles que acusam os elevados impostos de serem responsáveis pelos preços absurdos. Do outro, os que, ao verem que nem sempre as taxas cobrem todo o preço, colocam a culpa na proverbial ganância capitalista.

Essa turma que acompanha sonegômetro achando que mais de R$2 trilhões de reais anuais de arrecadação é pouco para o governo até criou o termo "Lucro Brasil" pra jogar nas costas dos gananciosos empresários o fato de um carro popular aqui custar o mesmo que um modelo topo de linha em outros países. Por enquanto, ainda falta explicar por que só com os “burgueses” brasileiros esse efeito acontece. Deve ser alguma coisa na água, certamente.

Num país em que boa parte das pessoas apoia um órgão do governo invadir, procurar documentos privados e prender um dirigente de clube de futebol na tentativa de impedir o aumento de preço nos ingressos pra uma final de campeonato, pode ser difícil simplesmente encerrar a discussão com “a empresa cobra o que ela quiser”. Então vamos dar uma olhada nos bastidores desse tal “Lucro Brasil”.

É fato sabido que o Brasil não apenas tem taxas de impostos altíssimas como também incidem de forma bizarra umas sobre as outras. Usarei um caso pessoal como exemplo: ano passado, eu comprei uma camisa do Liverpool na loja online do clube na esperança que um pedaço de pano que nem é vendido por aqui fosse passar batido ao entrar no país. Ledo engano. Não só o produto foi taxado como custou o dobro do que eu paguei na compra.

Agora imaginem se eu resolvesse abrir uma fábrica para produzir as camisas licenciadas pela Warrior (a marca da camisa) aqui no Brasil. Por que motivo eu cobraria um preço próximo ao “original”, se comprar na minha única concorrência (o produto importado) custa o dobro? Isso ignorando toda a burocracia que existe para abrir uma empresa, contratar pessoal e comprar maquinário que provavelmente vem de fora com os já supracitados mega-impostos.

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É esse o pulo do gato para entender que, na verdade, o “Lucro Brasil” não passa de um filho bastardo do protecionismo com a burocracia estatal. Tanto os altos impostos desenhados para proteger uma suposta indústria nacional quanto a dificuldade em abrir e regularizar empresas no país criam uma altíssima barreira de entrada no mercado, que, por sua vez, gera uma escassez que na realidade não existe. A cereja no bolo é a alta instabilidade legal do Brasil. Nunca se sabe quando o congresso vai passar uma lei, “pelo bem da população”, que proíba determinado produto ou serviço de ser oferecido, incentivando os empresários a tentarem recuperar seu investimento o mais cedo possível. O resultado, claro, é Playstation de 4 mil reais e outras coisas do gênero.

Por tudo isso que, da próxima vez que um produto feito na China chegar aqui pelo dobro do preço americano ou europeu, lembre-se que ganância não é exclusividade do empresário nacional. Todos eles querem ganhar o máximo de dinheiro possível. A diferença é que, aqui, os poucos “eleitos” que entram no mercado podem se dar ao luxo de se dobrar ao pecado capital sem medo de quebrarem diante da concorrência.

Trecho de coluna do Daniel Hannan no Telegraph sobre escravidão e culpa

The absurdity of the whole debate, though, is that we are all descended from slaves: you, me, the Queen and everyone else. From slave-owners, too, come to that. It could hardly be otherwise, human history being what it is.

Slavery was common to agrarian societies. It persisted in all the early civilizations: in Ur and Sumer, in Egypt and Persia, in the Indus Valley and in Xia Dynasty China. It survived through the classical age, and into the mediaeval period.

Slavery was endemic in African and Arab societies. Between 11 and 17 million people were taken from Africa by Muslim slavers between the seventh and nineteenth centuries. In the New World, too, slavery existed from the earliest moment of human settlement. The Mayans, Aztecs and Incas all practised it as, later, did the colonists.

Although slavery sometimes had an ethnic basis, it was no great respecter of race. Muslim slavers traded in Christians: Georgians, Circassians, Armenians and others. Christians, for their part, enslaved Moors: as late as the sixteenth century, hundreds of thousands of Muslim slaves toiled on Spanish plantations. On the eve of the American civil war, there were 3,000 black slave-owners in the United States.

We are, in other words, all in this together. Everyone on the planet is descended from the exploiters and the exploited. And that, surely, is what makes the arguments over guilt and apologies so silly. We can all agree that slavery was an abominable crime. From a contemporary perspective, it seems unbelievable that otherwise humane societies tolerated it. It is understandable that, feeling wrenched with revulsion, we want to tell someone how miserable we feel about the whole thing.

But tell whom? Anyone we choose to apologise to is statistically certain also to be descended from both owners and owned. It’s simply a question of how far back you want to go.

Ia traduzir, mas fiquei com preguiça.

Completo em: http://blogs.telegraph.co.uk/news/danielhannan/100205063/the-fact-that-we-paid-to-abolish-slavery-should-be-a-cause-for-pride-not-shame/

ronpaulproblems:

WASHINGTON — President Obama continues to push for a plan of limited military intervention in Syria, a new poll of Americans has found that though the nation remains wary over the prospect of becoming involved in another Middle Eastern war, the vast majority of U.S. citizens strongly approve of sending Congress to Syria.

Não Salvo e o unicode of death

Todo mundo já sabe da merda que deu com aparelhos iOS e OSX quando o Cid do site Não Salvo resolveu conclamar suas centenas de milhares de seguidores e leitores a espalhar um código que, se não trava os aparelhos, pelo menos dá uma dor de cabeça inconveniente aos usuários Apple.

Como o Cid é mega famoso na internet (também já foi no Jô etc), a galerinha tá apelando pro contorcionismo retórico pra tecer loas pro cara e eximí-lo de culpa no caso. A primeira coisa a ser dita foi “isso é culpa da Apple! Culpem a Apple” normalmente seguida do email da empresa para reclamações. Claro que é culpa da Apple, ninguém sã consciência vai dizer que uma vulnerabilidade do sistema não tem nada a ver com a empresa que o produziu.

Só que não é como se o tal unicode fosse um trojan, né? Ninguém tá soltando por aí acidentalmente e, que azar, você foi infectado. É um código específico em letras árabes que nego tá mandando com o único intuito de sacanear os outros.

"Ah, mas o Não Salvo não tem culpa das outras pessoas terem ido na pilha dele". O cacete! Como disse o tio Ben, "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". Um cara com tantos seguidores fanáticos sabe do poder que ele tem de inflamar a galera pro bem ou pro mal. Nesse caso foi para o mal.

"Ah, mas não atrapalhou muito, né? Não é difícil de resolver". Não atrapalhou muito a mim, que só tive problemas no Tweetdeck do Mac, mas muita gente perdeu coisas de trabalho ou precisava fazer algo importante e não podia porque o telefone estava num loop infinito de trava. O que nos leva ao argumento mais ridículo de todos…

"Se precisava trabalhar não tinha nada que estar no twitter". Primeiramente eu não tenho culpa se você trabalha na CARVOARIA. Segundo que, pode parecer bizarro pra quem tá com as mãos calejadas de minério, mas tem muita gente que usa o twitter pra trabalhar ou que trabalha em empresas que incentivam o uso dele pra dar aquela refrescada no processo criativo. De qualquer forma, só as notificações já davam pau nos celulares e SMS também. Aí não tem desculpa.

No fim, é claro que a Apple tinha que ter resolvido o problema (creio que estavam esperando passar despercebido até o lançamento dos novos OS), mas dizer que o foco da “brincadeira” não teve culpa ou não agiu de forma babaca é muito rabo preso com famosinho de web.

Globo faz propaganda automobilística em transmissão de corrida por duas horas e meia

A partir de: Globo faz propaganda religiosa em transmissão de missa por três horas e meia

Por mais importante que seja a Formula 1, por maior que seja o universo de fãs da categoria no Brasil, por mais impressionantes que sejam as imagens de torcedores nas arquibancadas de Hungaroring, me parece um exagero a principal emissora do país ficar duas horas e meia no ar, ao vivo, exibindo uma corrida, sem oferecer qualquer outra opção ao espectador.

Foi o que aconteceu neste domingo (28). A Globo alterou a sua programação, deixou de exibir parte de um programa, além da visita do Papa Francisco ao Brasil, para oferecer, desde as 9h da manhã, imagens do GP da Hungria.

Em formato de “pool”, as imagens estavam disponíveis para todas as emissoras de TV, mas a única rede aberta que optou por mostrá-las na íntegra foi a Globo. Sem edição alguma, exibiu, mais uma vez, todo o passeio de Hamilton em sua Mercedes ao longo das curvas do autódromo, na sequência, a íntegra da cerimônia de premiação, que marcou o encerramento da prova.

Um espectador desavisado vendo a Globo na manhã deste domingo pensaria estar sintonizado na ESPN ou no SporTV, não em uma emissora privada e de variedades. A questão vai além do respeito pelos outros esportes. Querendo ou não, a longa transmissão de um evento automobilístico, quase sem intermediação, passa a impressão de propaganda.

Acrítica, a emissora aderiu ao tom entusiasmado com que a FIA tem tratado o evento. “Pilotos sem medo das curvas”, disse o narrador Galvão Bueno, a quem coube a tarefa de preencher os vazios na prova. “Vai ficar na memória não só do fã, mas de todo brasileiro”, disse algumas vezes, tentando justificar.

Em outros momentos desta semana, acho justo dizer, o jornalismo da Globo explorou os mais variados aspectos da chegada da F1 na Hungria, mostrando também os problemas que causou, as dificuldades vividas pelos mecânicos e os temas polêmicos que a FIA não enfrentou na temporada.

Carta ao leitor conservador de Veja

O texto abaixo é foi um dos dois trabalhos finais da disciplina Teoria da Comunicação II, obrigatória do curso de Comunicação Social da UFRJ, ministrada pelo professor Eduardo Granja Coutinho, que eu cursei no primeiro semestre de 2009. Vale a menção de que o outro trabalho final consistia numa apresentação em grupo das ideias de um pensador de esquerda a ser sorteado para cada grupo (o meu foi Gramsci).

Eu tinha 19 anos na época e não sei dizer se eu acreditava no que escrevi ou se o texto foi apenas resultado do pragmatismo em conseguir uma nota boa (minha média final foi 9.5, sou um bom comunista). Mas, de qualquer forma, vale como exemplo do domínio que a esquerda possui nos cursos de humanas e de uma doutrinação que pouca gente consegue superar. Por sorte, eu consegui ver a luz e atualmente só posso dar risadas com essa verborragia de clichês idiotas.

E, pelo amor de Deus, que que vergonha desse texto!

Explique a um leitor conservador da revista Veja a importância do pensamento marxista, particularmente a questão da ideologia, para compreender o significado e o papel da mídia na cultura contemporânea, a cultura do dinheiro:

Caro leitor de Veja, ao pagar os dez reais semanais pelo exemplar dessa revista da editora Abril, talvez não saiba que você está pagando por pura desinformação. A Veja não vende notícias; não vende informação aos seus leitores. Mas sim uma ideologia: a ideologia do capital. Quando você lê a veja, não é o discurso de jornalistas, ou de outras pessoas isentas que você está lendo, mas sim o discurso burguês.

A Veja trata o homem como objeto da História, e não como sujeito. Fazendo-o ver o mundo como algo dado, algo imutável. Na realidade, a função da revista Veja é naturalizar as relações sociais vigentes, tratando-as como algo que vem de cima para baixo, que é de certa forma imposta ao homem por uma consciência maior. Mais importante de tudo, a Veja naturaliza a propriedade privada, que é a base do capitalismo e da exploração do homem.

Não só a Veja trabalha com esse intuito. Todos os veículos de informação, além das próprias escolas, estão a serviço do capital. São eles que constroem a hegemonia necessária para naturalizar o capitalismo, além de sufocar qualquer mídia contra-hegemônica. Isso faz com que desde crianças, os homens pensem que as disparidades sociais, a exploração do homem pelo próprio homem e a propriedade privada sejam coisas absolutamente normais.

De acordo com o pensamento Marxista O idealismo filosófico alemão reduz o mundo à sua representação intelectual nos sistemas ideológicos como a religião, o Direito, a ciência, etc. Ele reduz toda a evolução histórica a estes ideais, que são considerados pelos idealistas não apenas como independentes dos fatores e agentes da realidade social, mas como efetivos criadores desta última. Acrescentam a este historicismo idealista um tempero místico e hermético, fazendo com que ele adquira um sabor transcendente. A escravização da vida pelos ideais transcendentes é um consenso deste idealismo.

Marx e Engels afirmavam que a evolução da História se dava através das relações sociais entre os homens, que as idéias surgem do Homem, verdadeiro sujeito da História. O que significa essa afirmação na prática? Significa que tanto o capitalismo, tanto a propriedade privada e o próprio dinheiro são meras convenções humanas e que, por virem do Homem, podem ser por ele revogadas.

É por isso que os meios de informação a serviço da burguesia fazem tal esforço para desistoricizar os fatos que poderiam servir de arma contra os donos dos meios de produção e seu sistema vigente. O que eles fazem é simples: qualquer situação pode ser retirada do seu contexto histórico, se tornando um fato isolado. Tomemos por exemplo uma manifestação do MST. Ora, é mais que óbvia que a situação agrária do Brasil remonta aos tempos da colônia e dos senhores de engenho, mas o tratamento normal que uma rebelião desse tipo recebe é a de arruaça.

Esse tipo de visão é encontrado no materialismo de feuerbach, que é criticado por Marx na medida em que, apesar de reconhecer que a evolução histórica não se dá no plano da idéias, não vê a História como uma seqüência de causas e conseqüências com o Homem como sujeito, mas sim uma série de fatos isolados. Não só a Revista Veja se utiliza desse princípio para desinformar seus leitores. Observando o Jornal Nacional, por exemplo, podemos ver o mesmo modo e transmitir as notícias como sendo fatos isolados, e sendo assim, omitindo a verdadeira causa destes, que é a contradição inerente ao modelo capitalista.

Assim, ao ler a Veja, procure ter um olhar crítico sobre as notícias e opiniões dessa revista. Procurando não aceitar os fatos como algo dado, e sim tendo noção dos verdadeiros causadores das desigualdades sociais tão visíveis no Brasil, mas ainda assim tão mascarada por uma mídia financiada pelos exploradores do trabalho humano. E isso não se resume à Veja, mas as organizações Globo, à Folha de São Paulo e todos os meios que representam os interesses e desejos do capital.

A importância dos preços livres

Por Pedro Henrique Dias

Sempre antes de iniciar minhas discussões sobre economia com amigos comunistas, socialistas, sociais-democratas e adeptos de qualquer vertente do intervencionismo, faço questão de frisar um ponto crucial em relação à minha escolha de defender as ideias liberais. Como diz o grande mestre Ludwig von Mises, existe apenas uma coisa em que os liberais concordam plenamente com os socialistas: a necessidade de elevar o padrão de vida das pessoas, principalmente as mais pobres. Sempre procuro destacar que nossos fins são comuns (e isso é muito efetivo para diminuir a incidência do argumento ad hominem na conversa), de forma que nossa discordância se dá no tocante aos meios para chegarmos a esse objetivo. Feita essa observação, podemos prosseguir em nosso raciocínio e investigar as razões de as intervenções governamentais na economia serem tão maléficas à nossa meta de elevação do padrão de vida dos menos afortunados no aspecto de conforto material.

A pior coisa que alguém pode fazer para alcançar esse objetivo é interferir no sistema de preços livres. Por que os preços livres são tão importantes e determinantes para o sucesso e o progresso material dos seres humanos? Porque os preços são os principais sinais seguidos na tomada de decisão dos empreendedores. Não é possível saber se eu devo produzir ou não produzir um determinado produto se eu desconheço as condições reais de oferta e demanda para ele. Em outras palavras, não é possível fazer o cálculo econômico racional, que resulta na produção direcionada para as demandas dos consumidores. Sem saber o que os consumidores querem e a quantidade existente desse produto no mercado, fatalmente irei tomar minhas decisões “no escuro”, fazendo uma alocação errônea dos recursos escassos.

Para se ter uma ideia prática do impacto dessa variável no resultado final de bem-estar das pessoas, é a intervenção governamental nas taxas de juros (preço do dinheiro) que origina as crises e os ciclos econômicos. A determinação de taxas de juros pelo banco central em valores abaixo das taxas que seriam determinadas pelas relações de mercado (oferta de recursos poupados x demanda por recursos poupados) criam uma ilusão de que existem mais recursos poupados do que realmente existem, levando os empreendedores aos malinvestments, que desembocam nas subsequentes crises. São as intervenções governamentais no preço do dinheiro que causam as “crises do capitalismo de livre-mercado”. Sim, o desemprego desse monte de gente na Europa e nos Estados Unidos foi causado por uma aparentemente inocente intervenção num preço.

Socialismo e capitalismo são dois diferentes sistemas que objetivam promover a melhor alocação dos recursos escassos existentes em nosso mundo. Os preços livres sinalizam essa escassez. Preços são capazes de aglutinar as informações de oferta e demanda de um determinado bem ou serviço. Eles funcionam como uma votação, onde cada demandante/consumidor sinaliza sua disponibilidade em pagar por determinado produto e cada ofertante sinaliza o quanto deste produto está disponível para ser comercializado. A interação dessas duas informações gera o que chamamos de preços livres, que são a expressão plena da escassez do produto, ou seja, o quanto está disponível para ser ofertado e o quanto está sendo demandado.

Tendo em vista esse conceito de preços como sendo informações sobre a escassez, chegamos à conclusão de que ações governamentais que visam reduzir preços através de decretos não aumentam a oferta real de um bem ou serviço. O governo apenas mexe no sinal e não nas causas desse sinal. Ao contrário, medidas de congelamento de preços geram o efeito inverso ao esperado, que é a redução da oferta de bens e serviços. Isso sempre ocorrerá quando o preço tabelado pelo governo estiver abaixo dos custos para a produção do bem ou do serviço. A consequência do congelamento de preços no longo prazo é a redução do nível de vida das pessoas. Trata-se de um método baseado numa interpretação completamente errônea do funcionamento da economia.

Há uma frase do Hayek que resume perfeitamente o porquê de as intervenções governamentais em preços serem tão mal sucedidas: “Você não pode corrigir sinais que lhe informam sobre circunstâncias que você não conhece”. Governos e planejadores centrais são incapazes de saber melhor do que os preços quais são as condições de oferta e demanda de um determinado produto porque os preços são exatamente as condições de oferta e demanda de um determinado produto. Se já existe um mecanismo que expressa da melhor forma possível a vontade das pessoas, não há necessidade de se criar substitutos para ele. A única forma de baixar preços e consequentemente tornar todos mais ricos é através da desobstrução da produção e da desburocratização da livre iniciativa. Isso vai criar uma maior oferta de bens e serviços e um melhor padrão de vida para todos, principalmente para os mais pobres.